Histórias da Ditadura

Hoje na Imprensa

20
set
2017

Notícia | Carta aberta ao Comandante do Exército Brasileiro

Militantes de direitos humanos, familiares de perseguidos e vítimas da Ditadura demandam punição de general ao comandante do Exército.

Sr. General,

Vimos, por meio desta, na qualidade de integrantes do grupo de Filhos e Netos por Memória, Verdade e Justiça, do Coletivo RJ Memória, Verdade e Justiça e da Campanha Ocupa DOPS, e com a legitimidade que o fato de sermos cidadãos brasileiros nos confere, respeitosamente exigir de V. Exa. uma atitude de repúdio público e a aplicação das sanções cabíveis ao General Antônio Hamilton Martins Mourão, frente às declarações dadas por este senhor no dia 15 de setembro deste ano. Nessa data, em tom de ameaça à República e ao arrepio da Constituição Federal, afirmou este que o Exército pode “intervir militarmente, caso a situação política não melhore” e que o Alto Comando do Exército partilha da mesma opinião, apenas discordando sobre o momento adequado para agir. Vai além, para confessar que há uma conspiração em curso, ao dizer que o Exército tem “planejamentos muito bem feitos” para colocar em prática essa intervenção e “impor uma solução”. Saliente-se que, como o fez fardado, tem o país o direito de presumir que falou em nome do Exército, representando formalmente o comando desta força.

O General Mourão parece ter faltado às aulas de Direito Constitucional, onde o papel das Forças Armadas como guardiãs da Constituição e dos Direitos Humanos está claramente definido.

Parece igualmente desacreditar de fatos amplamente comprovados por nossos historiadores, pelas Comissões da Verdade e por nós mesmos: as torturas, mortes e desaparecimentos ocorridos durante a ditadura que esteve em vigor entre 1964 e 1985. Caso a afirmação de que sua geração “é marcada pelos sucessivos ataques que a instituição recebeu, de forma covarde, de forma não coerente com os fatos que ocorreram de 64 a 85” não seja fruto apenas de má-fé e sim de desconhecimento, basta que consulte os arquivos que as Forças Armadas se negam a entregar à sociedade civil para conhecer a verdade. Consultando-os, verão que só com o Estado brasileiro desrespeitando as normas e a sentença de uma Corte Internacional, bem como se valendo de uma auto-anistia imposta à Nação, é que muitos de seus colegas de farda não estão atrás das grades pelas graves violações de direitos humanos, crimes de lesa humanidade cometidos no período.

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