Histórias da Ditadura

Hoje na Imprensa

24
jul
2017

Notícia | Centro Cultural da UFMG exibe exposição sobre ditadura militar no Brasil


João Teófilo | História da Ditadura

 

A Universidade Federal de Minas Gerais, que completou 90 anos em 2017, exibe em seu Centro Cultural, até o dia 31 de julho, a exposição Desconstrução do Esquecimento: golpe, anistia e justiça de transição. Com curadoria de Fabrício Ferdinando e coordenação e supervisão geral de Leda Martins e Silvana Cóser, a exposição adota eixos centrais para a compreensão do período ditatorial brasileiro e cria uma linha do tempo fazendo dos espaços do Centro Cultural da UFMG um percurso cronológico que vai desde o golpe de 1964 até a criação da Comissão Nacional da Verdade.

 

 

Com textos e imagens que ficaram sob responsabilidade do Projeto República, coordenado pela historiadora Heloisa Starling, e do Centro de Estudos sobre Justiça de Transição, coordenado pelo advogado Emílio Peluso, a exposição aposta em um rico conteúdo visual que impressiona não apenas por evidenciar as forças da repressão e da resistência durante aqueles anos, mas por permitir ao visitante ter contato com documentos, objetos e vídeos que marcaram a ditadura. Os distintos sons que ecoam pelas salas, superpostos, geram uma sensação de incômodo que se soma às imagens – vídeos e fotos – que representam aquele período sombrio. Outras, entretanto, evidenciam protestos variados, como as lutas por anistia, mostrando ao visitante que onde houve dor e angústia também vingou a persistência e a esperança.

Para além da importância de trazer para o espaço público um tema que é central na história recente do país e urgente para uma sociedade que, em sua grande maioria, ainda o desconhece, a exposição tem o grande mérito de incorporar ao seu conteúdo o tema da Justiça de Transição, permitindo, assim, atualizar esse passado por meio de suas heranças e lutas inconclusas.

 

 

Ao entrar no espaço, o visitante é convidado a “[…] revisitar um período sombrio da história do Brasil, por meio de uma narrativa curatorial que instiga nossa reflexão e percepção sensível, assim como nossos sentimentos”. O reitor da UFMG, Jaime Arturo Ramírez, e sua vice, Sandra Goulart Almeida, no texto introdutório da exposição, argumentam que “é precisamente por recusar o esquecimento e a cegueira, aos quais os fatos históricos e cotidianos estão sujeitos, e por optar por seguir os rastros da história e da memória que a UFMG traz a público […] esta exposição que se propõe a relembrar e reviver um dos momentos mais marcantes e traumáticos da história nacional”.

A exposição, concebida como parte do projeto do Memorial da Anistia Política do Brasil, vem se somar a tantas outras semelhantes ocorridas Brasil afora que insistem, com razão, em um imperativo já conhecido: a luta contra o esquecimento. O seu rico conteúdo visual e textual, preparado com louvável excelência, nos lembra daquele período e, nesse sentido, atua como antídoto contra o esquecimento.


 

Serviço:

Centro Cultural da UFMG – Av. Santos Dumont, 174, Belo Horizonte-MG.

Visitação: 2ª a 6ª, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 13h.

Contato: secdir@dac.ufmg.br

Entrada Gratuita.