Histórias da Ditadura

Hoje na Imprensa

28
jun
2017

Notícia | Homossexualidades e ditadura


Por Pedro Teixeirense | História da Ditadura

 

 

O História da Ditadura gostaria de se juntar a todxs que celebram hoje o dia do orgulho gay.

A data, que passou a ser celebrada em vários países do mundo após a rebelião de Stonewall (1969), simboliza o apoio e a luta pelo reconhecimento da igualdade entre todxs os cidadãos. Em contrapartida, o dia de hoje insiste em nos lembrar que ainda há muito pouco para se comemorar. Quando o tema é a brutal violência contra as comunidades LGBTIQ, devemos sempre destacar que o Brasil segue entre os países com mais alto índice de desrespeito à diversidade de gênero e de orientação sexual.

A partir do ano de 2014, especialmente em decorrência dos trabalhos  das diversas Comissões de Verdade, Justiça e Memória, que se dedicaram à investigação dos crimes cometidos por agentes do Estado ao longo do mais recente ciclo ditatorial no Brasil (1964-1985), um “novo” tema ganhou maior evidência entre pesquisadores.

Estamos nos referindo às complexas relações que, ao longo do período referenciado, surgiriam entre as “homossexualidades” e a ditadura militar implantada no país. Recentemente, muitas dessas dimensões foram analisadas em obra organizada pelo historiador, James Green e, pelo advogado, Renan Quinalha. Na apresentação do trabalho, os autores destacam que a obra, que reuniu pesquisadores de diversas áreas, tem como objetivo central debater “de que maneiras a ditadura dificultou tanto os modos de vida de gays e lésbicas” quanto à afirmação dos movimentos LGBTIQ no país.

Os textos que compõem a obra se dedicam a investigar desde a formulação ideológica da ideia da homossexualidade como subversão (Benjamin Cowan) até o surgimento de mecanismos que permitiram a política de censura que reprimiu artistas e ativistas pelos direitos das “homossexualidades” (Rita Colaço). Ao mesmo tempo, analisam o surgimento de órgãos da Imprensa alternativa – como o Lampião da Esquina – (Jorge Caê Rodrigues), a estreita relação entre a defesa dos direitos das pessoas LGBTIQ e a própria democracia (José Reinaldo de Lima Lopes) e a atualidade das violências contra a comunidade e o surgimento e desenvolvimento das medidas de justiça de transição que lidam com tais violações (Renan Quinalha).

Há uma infinidade de outros temas analisados nesta obra que, em muitos aspectos, reflete o crescimento e complexidade da historiografia sobre a ditadura militar brasileira. Os artigos de James Green – incluindo sua colaboração ao relatório final da Comissão Nacional da Verdade – e de Marisa Fernandes (sobre a trajetória de luta e repressão contra lésbicas) completam esse trabalho que, na data de hoje, recomendamos aos que se interessam pelo tema.

Celebremos o dia do orgulho gay com uma tremenda dose de otimismo; mas, cientes de que “é preciso estar atento e forte”.


 

Para saber mais:

 

 

James Green e Renan Quinalha (Org). Ditadura e homossexualidades: repressão, resistência e a busca da verdade. São Carlos: EDUFSCar, 2014.