Histórias da Ditadura

Hoje na Imprensa

30
jun
2017

Notícia | Morre Simone Veil, grande figura da luta pelos direitos das mulheres


Fabrice Got | História da Ditadura

 

30 de junho de 2017, Simone Veil faleceu. Uma figura da sociedade francesa moderna, uma figura dos direitos das mulheres, um símbolo de força, respeito e resiliência. Depois de ter conhecido os horrores da barbárie nazista, após o seu internamento no campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, Simone Veil se tornou, em seguida, uma renomada e respeitada magistrada. Nomeada ministra da Saúde, sob a presidência de Valéry Giscard d’Estaing, foi ela que sustentou o projeto de lei a favor do aborto. Através de suas fortes convicções, ela mostrou o que era ser uma mulher na sociedade machista da década de 1970. Ela não cedeu a reflexões sexistas, antissemitas, injuriosas e repugnantes provenientes de um grande número de deputados, mas também vindas dos meios católicos e conservadores do país. Foi depois de debates acalorados que convulsionaram a população francesa, que, em 17 janeiro de 1975, a lei sobre a interrupção voluntária da gravidez, chamada lei Veil, foi promulgada. Graças à paciência e tenacidade dessa deputada, o aborto foi finalmente descriminalizado. As cidadãs francesas não mais precisaram ir ao exterior, se esconderem, terem vergonha e colocarem suas vidas em perigo.

É com grande tristeza, mas também gratidão, respeito e admiração que nós, franceses e francesas, dizemos adeus e obrigado a Simone Veil.

(Tradução Paulo Cesar Gomes)


 

30 juin 2017, Simone Veil s’éteint. Une figure de la société française moderne, une figure du droit des femmes, un symbole de force, de respect et de résilience. Alors qu’elle connu les horreurs de la barbarie nazie suite à son internement dans le camp de concentration d’Auschwitz-Birkenau, Simone Veil est par la suite devenue une magistrate réputée et respectée. Nommée Ministre de la santé sous la présidence de Valéry Giscard d’Estaing c’est elle qui portera le projet de loi en faveur de l’avortement. Forte de ses convictions, elle montra ce qu’était être femme dans la société machiste des années 70. Elle ne céda pas face aux réflexions sexistes, antisémites, insultantes et nauséabondes d’un grand nombre de députés mais aussi de la part du milieu catholique et conservateur du pays. C’est à la suite de débats houleux qui déchira la population française, que le 17 janvier 1975 la loi relative à l’interruption volontaire de grossesse, dite loi Veil, est promulguée. Grâce à la patience et à la ténacité de cette députée, l’avortement est enfin dépénalisé, les citoyennes françaises n’ont plus besoin de partir à l’étranger, de se cacher, d’avoir honte, de mettre leur vie en danger.

C’est avec beaucoup de tristesse, mais également de reconnaissance, de respect et d’admiration que nous, françaises et français, nous lui disons au revoir, et merci.